História pra contar #6 : Litinho - Capítulo 6 "In Media res"

     


      Olá pessoal

       Chegamos ao sexto capítulo da nossa história, quais os caminhos se cruzaram agora com Litinho e seu passado misterioso ? o que será que acontece com esse Mise en scene a lá nordestina, nas desventuras de uma família.

     Leia os outros capítulos :

  1 - https://goo.gl/MU26P3
  2 - https://goo.gl/BM9JRm
  3 - https://goo.gl/rnw7uf
  4 - https://goo.gl/d8sxaq
  5 - https://goo.gl/3YYs74


      Capítulo 6 :  In Média Res

"Corra,
Não pare e não pense demais.
Repare essas velas no cais que a vida é cigana.

É caravana..."

         Não existem culpados. Apenas uma decisão. Uma decisão que por mim foi tomada e que por mim foi executada. Me desculpem. Maria, minha amada; Pedro, meu filho, à minha família, aos meus amigos... Todos dessa cidade que conheci desde menino. Claro que, em tão mal traçadas linhas, não conseguirei explicar o que carrego em meu peito, aliás, não tem jeito: não consegui fazê-lo em uma vida inteira. Cometi muitos impropérios no decorrer desta existência e o fardo do existir se tornou pesado demais para mim. Deixo o palco deste espetáculo - que é a vida -, mas sem saldar as dívidas das transações cármicas com o mundo. A dívida ao meu primeiro filho e à sua mãe que faleceram no desenrolar do parto e do qual eu nem sequer participei. Nem sequer fui ao enterro. Soube demasiado tarde o que as circunstâncias já me diziam. Não vi a criança, mas segundo disseram era um menino lindo. Não me disseram o seu nome: a mãe o proibiu e a parteira foi fiel. Por isso me fustigo. Pois carrego essa culpa por onde atrevo me enveredar. Eu enderecei meus primeiros grandes amores à morte e, desde então, sempre imaginei se em algum momento da passagem os reencontraria para me retratar. Enfim. Deixo separado, por testamento, maiores explicaçõ...

      Num impulso assustada por estar fazendo, talvez, coisa que não se faça, eu, Magnólia da História, escondi estabanada o bilhete no bolso do saião.  Que papelão. Mas foi minha primeira decisão. Aquele relato me atinou, de fato, para seu ângulo obtuso e o cerne da questão. Então... Era conhecedora de situação semelhante que ocorrera na cidade em que nasci. Só precisava confirmar algumas suspeitas para poder me decidir. E como já vos adiantei, aquilo que suspeitei, se materializou incauto. Reginaldo, de fato, era o pai de Litinho, mas como eu ia contar? Vocês devem estar a se perguntar. Pois é! Hei de relatar! Porém, aconselho-vos a se endireitar para o conteúdo entrar mais maneiro e sem lá grandes rodeios a história se atentar. Eu que, despois de desconfiar,  resolvi avisar a mulher do vereador. Não entendi o que tinha que fazer e fui justamente avexada avisar à bendita. Que malucada ideia maldita. Não sei o que me deu, mas fui e contei entregando-lhe o bilhete. Essa ação ocasionou esta novela. E esse prolongamento aconteceu, alí mesmo, quando ela me fitou e, destilada pelo ódio, me ameaçou. E cá estou a explicar a segunda parte in medias res, creio que novamente, de como entrei nessa água fria e de minha briga com Maria Cristina. As histórias se escondem, mas nunca se perdem; e como que os fatos quase que, invariavelmente, se repetem e se repetem.

   
 Continua no próximo capítulo...  

  É isso, pessoal
  Até a próxima  

  

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