FHM #72 : Portuguesa e a agonia do futebol interior

  

    Olá pessoal 

    O tema de hoje é a continuação do texto anterior sobre a situação dos Estaduais, vamos falar da queda da Lusa a sem divisão e modo como agoniza todo futebol interiorano com a modernidade do esporte. O processo que leva os destaques e os times menores até quase o fim das atividades. 

     Um time simbólico de São Paulo, junto ao Juventus da Mooca, a Portuguesa sofre em mais de duas décadas com quedas, crises financeiras e futebolística numa instituição que era o segundo time de todo mundo para um ostracismo agonizante.  Quem acompanha futebol viu time de Denner e neste século, o time do Barcelusa de 2011 com a chegada na serie A, uma montagem que remontava os bons tempos e agora 7 anos depois fora da Serie D e rebaixado no Paulista com muitas dificuldades de se manter aberto; Símbolo da queda do futebol de pé no chão, do simples e salários baixos, que morre aos poucos desde a lei Pelé e a fonte secar na base. O momento é de refletir o que fizemos com o esporte além da TV e o olho da mídia, deixamos cair a base que construia o futebol da sua cidade e do simples ato de ir ao Estádio ver o pequeno e amado jogar. 

    Esse é o gancho para ver que isso acontece em grande escala, com exceção da Ponte,Guarani, Luverdense,Globo e mais alguns que saem do interior para disputar campeonatos regionais e nacionais A realidade do futebol nacional é diferente do que aparece na telinha com salários altos e estruturas bem assentadas, tendo o exemplo como os campeonatos de base que meninos passam fome como já ocorreu na Copa São Paulo de Juniors, jogadores que recebem 1000 reais e por vezes tem salários atrasados, jogando paralelamente na várzea por 100 reais por jogo; Fora de uma transmissão de Tevê temos pouco público e renda que mal sustentam campeonatos e que persistem sem ajuda de federações, olhando para a situação de clubes que tem tradição local e que fecharam deixando sua história na sombra do esquecimento. 

     Acabado os campeonatos regionais e estaduais, vamos ao fim da temporada para muitos clubes que apenas disputam um campeonato, os times que se desmancham e as centenas de jogadores que voltam aos bicos para manter o dinheiro em casa até conseguir no ano seguinte, um time e um contrato para 6 meses de dedicação. Parece o roteiro de "Vidas secas" de Graciliano Ramos, é um ciclo onde o futebol floreia e o resto do tempo, a seca do futebol no interior que 4 divisões não dão conta nem dinheiro para existir agenda para todo mundo, um cenário onde prevalece o show da televisão frente a ação in loco e digamos real do esporte, elitizamos a diversão que foi popular e acessível. 

     No fim dessa narrativa, temos que um resistente futebol raiz que não quer acabar, o interior ainda tem seu futebol que nasce em novembro e encerra em Abril. Estamos falando de mais de 90% dos times e atletas profissionais que representam o piso de uma minoria que tem o privilégio de existir enquanto clube. Que nessas voltas que o mundo dá, espero que ainda ressurja um modelo que abrace a tradição e o moderno futebol de arenas. 

    É isso ai, pessoal 
    Até a próxima

  

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