De Olho Neles: Necropolítica para leigos




** O texto abaixo não trata do livro, fala sobre a aplicação na realidade Brasileira contemporânea.

                              Olá pessoal

                         O tema de hoje é falar sobre um aspecto da crise social continua que vive o Brasil a mais de um século, a necropolítica vem vitimando cada vez mais gente com as ações estruturais, do crime e da sociedade para que a morte seja tão naturalizada. O ponto é que entender essa questão faz parte do primeiro passo para compreender a violência no Brasil e os fatores complicados que estão por trás de noticias policialescas na TV.

                         A primeira explicação necessária é o termo criado pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe em um ensaio de 2003. O objetivo de definir as preferências públicas pela vida ou morte de alguém pelo efeito político, criando territórios de batalha e outra de prevenção com o investimento continuo que cercam o termo, a aplicação disso é exemplificado em diversos gestões municipais e estaduais do Rio de Janeiro, ao anos do PSDB em São Paulo e na histórica Ditadura militar que foi a raiz dos problemas de disputa bandido e polícia nessas terras tupiniquins. Fique abaixo com os trechos tirados de matérias para dar um contexto breve ao assunto.

"" Neste ensaio, o autor parte do pressuposto “que a expressão máxima da soberania reside em grande medida, no poder e na capacidade de ditar quem pode viver e quem deve morrer”, razão pela qual “matar ou deixar viver constituem os limites da soberania, seus atributos fundamentais.”

Assim, ao final e ao cabo, “ser soberano é exercer controle sobre a mortalidade e definir a vida como a implantação e manifestação de poder.” Logo, neste sentido, “a soberania é a capacidade de definir quem importa e quem não importa, quem é ‘descartável’ e quem não é.”  ""

Retirado de https://www.justificando.com/2019/01/08/a-necropolitica-e-o-brasil-de-ontem-e-de-hoje/

                              
                           O ponto a seguir é que temos que pensar em Estado, nunca acaso ou fatos isolados, porque a polícia ter a letalidade brasileira é algo fora do contexto mundial, muitas pessoas morrem entre a ação de farda, a resposta criminal ligada a territórios abandonados e os acidentes de percurso como os casos recentes de mortes e tortura. Tudo é pensado de um posto maior que decide se a prevalência da morte ou Paz no local é de sua posição geopolítica, combater a pobreza ao invés de investigar o endereço de quem ganha a grana do tráfico e do crime organizado visa favorecer um lado da história, o lado mais fraco da corda é a população periférica. Simplificando, existe no poder quem aponte no mapa o local que a bala come por ser interessante para ele e a política que ele aplica, colocando em figuras simbólicas temos o chefe do crime que tem acordos com deputados, milicianos que tomam conta de áreas limpas do crime organizado e secretários de segurança pública que prezam pela violência em lugar da investigação e prisão do grande beneficiário.

                         A cultura estado policial forte e de que há uma guerra contra o crime é o slogan clássico de um grupo conservador que não enxerga o lado social e prega uma polarização da favela ou região para que isso fortaleça seus discursos. O famoso: "Bandido bom é bandido morto" significa uma parcela da população que não concede o direito do mais pobre viver e trabalhar, pode ter as mães e avós da periferia servindo de funcionários porém apoia e briga pela morte deste jovem e adultos por estarem voltando para casa serem condenadas por uma polícia que beneficia o "abate" da juventude negra que se arrisca para viver sendo vitima do racismo estrutural. A situação é que rico tem medo de conviver com a "maioria" e minoria pobre usando da força do Estado para que ele fique no seu lugar ou morra no traslado entre centro e extremos das cidades

                          Outro ponto é que a mídia ganha com isso, a longa jornada do Datena, Alborghetti, Marcelo Rezende, Sikeira Junior e outros que fazem o evento da jornada da polícias militar e civil, bombeiros e quartéis de elite urbano para fazer shows que vivem da violência e defender o direito da força bruta estatal. O fator causador da onda violenta é por vezes criar o terror na população de classe média, elite social e até na mais pobres, capitalizar na hiperinflação do ego da forças de segurança que são apenas "soldadinhos de chumbo" no tabuleiro da movimentação financeira que invés de privilegiar a base de recuperação social: Educação, cidadania e assistência social, setores que são atacados por todas as gestões de extrema direita, direita e centro direita. A TV cria um monstro que é a favela, o elemento criminoso que vem para o centro, os bairros mais ricos como um fantasma sem rosto que tem ser neutralizado por uma polícia forte e atuante, quando esconde o abuso de décadas contra os mais prejudicados pela condição social

                          A sutileza de outros gestos que podem ser encarados como aplicação de medidas necropolíticas na sociedade podem ser alguns dos exemplos abaixo, a dificuldade de olhar o todo é o que torna as coisa difíceis para serem entendidas por todas as classes. A preferência por muitos corruptos de fraudar obras e ações que visam os pobres, o desvio de verba de saúde, moradia e lazer geram o vazio de qualidade de vida que força pessoas se virarem a beira da legalidade e do desenvolvimento humano progressista, por exemplo Baile Funk e Campo de futebol privado são locais onde muitos jovens tem a pouca diversão que o Estado nega ele a vida toda como parque, cinema, esportes como uma preferência de centrar isso para o que conseguem pagar; A escolha por atrasar a vida dos bairros mais afastados como a rotação da água na torneira, os piores ônibus para suas casas, a poluição geral, a péssima estrutura construida (Postos de saúde, hospitais, escolas, terminais de ônibus e etc) e a sensação de abandono por meios oficiais, tornando o Estado inimigo desse lugar. Todas essas ações são estratégias para matar por cansaço, fome, sede, doença, falta de grana e stress, aqueles que o único "crime" é existir numa sociedade intolerante.

                            Os conceitos eu tentei explicar foram que a morte, o Estado e a política, a correlação que se estabelece nos modos mais enraizados de criar, destruir e programar para que tudo vire um negócio seja a guerra as drogas como estratégia, o abandono das autoridades esperando se livrar das pessoas "indesejáveis" da high society, a polícia usada para ser o braço armado para dentro da periferia e caçando o inimigo invisível apoiado pela TV e jornais e como arranjar recursos para enriquecer na vida política, atacando os setores fundamentais dos menos favorecidos pois estas vidas tem menos valor e menos barulho a inumerável presença do ceifador de almas pobres.

                             É isso, pessoal
                            Até a próxima 

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