Crônica da semana: Feliz aniversário, quarentena


                                    Olá pessoal

                     O tema de hoje é menos pesado que o título sugere, vamos falar de comemorações a distância em tempos que até os feriados mais maternos ficaram a ver navios com ceias reduzidas a vídeo chamadas como um alento a situação social. O ponto é que passou o meu aniversário e de muita gente que teve a sensação de que as comemorações ficam para depois pela primeira vez na vida. 

                     A data mais importante para algumas pessoas é o seu próprio aniversário, momento de brilho individual por um dia, que segue de elogios e presentes se o mesmo for sortudo. A marcação de mais um ano vivido parece algo bobo, mas tem seu valor sentimental combinado com a força da rede social de aumentar o ego com as interações, confesso que foi bem lembrado durante o dia 25 por amigos e parentes que algum momento tiraram um minuto para uma mensagem, respondidas com o espanhol e português aleatoriamente. O que mais atrai é o processo de ser notado e valorizado, o número pouco importa pois existem idosos que gostam de envelhecer e jovens que fogem do parabéns. 

                      A festa normalmente seria o caminho natural, a aglomeração de amigos e familiares seja em casa, bar ou qualquer lugar, entretanto dessa vez foi diferente para todos os aniversariantes de Março, Abril e até o fim do ano, talvez, começamos a falar do simples bolo, salgados e umas ligações no skype, facetime. Adaptamos o modo de poder reunir as pessoas que gostamos e das formas de estar presentes via redes sociais, os posts ganharam peso maior que beira até o comercial; Não é o fato de apenas se sentir amado, é o ponto de validação das suas atitudes anuais e como uma medição de resultados em convivência virtual. 

                       Enfim, a quarentena mudou a nossa percepção de valor sobre pequenos prazeres, o que eu desejaria de estar no fim dessa pandemia para poder ter a chance de estar face a face neste dia especial. O que era banal como uma festa, parece agora um sonho ter o direito de faze-lo livremente, apesar de uns confusos ainda furarem o isolamento social, e na possibilidade de circular para se divertir seja aonde for. A partir deste ponto, perder certas liberdades básicas fizeram que as pessoas retomassem o prazer de viver essas situações, o Brasil não teve esse choque ,mas o mundo tem. 

                      A estranheza faz parte do aprendizado, viver num cárcere temporário é um preço que pagamos para não ver tanta gente morrer, e agora temos que lidar que seja um aniversário, um almoço em família fica para o próximo ano pois a segurança que voltaremos a viver normalmente é incerta.  Depois que tudo passar podemos resgatar a sensação que é o conforto de festejar sem medo de doença, regras para sair e um pouco de paz para dormir a noite. 

                      É isso, pessoal 
                      Até a próxima 


 

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