FHM #138: Jogador função social
Olá pessoal
O tema de hoje é a capacidade do discurso dos jogadores brasileiros, a inspiração vem deste vídeo do Bruno Formiga sobre o tema, adicionando o ponto da noção de realidade que permite um viés social limitado sendo satisfatório em algum caso. A necessidade de se posicionar do atleta é discutível até o limite da ignorância coletiva da classe e as raras exceções que a formação acadêmica e intelectual são um ponto a se destacar.
A vida de atleta como retrata a realidade do cotidiano é diferente do estrelato que as pessoas pensam, a maioria ganha pouco e tem pouca segurança jurídica e sindical sendo alienado do modo tradicional de viver os dias. A faixa salarial de um salário mínimo com a estrutura precária dos menores clubes que fazem a base "dura" do esporte - imaginar a simplicidade de praticar o esporte com poucos sinais de profissionalismo que é descrito pela imagem dos clubes da séries A,B e C - que tem uma face do amadorismo e do mundo a aparte que se constrói no meio esportivo protegido da crise, da política, do noticiário, do academicismo e etc.
A exceção a cegueira coletiva, jogadores ditos intelectuais como Socrates, Paulo André, William Capita, Juninho Pernambucano e outros fazem uma memória de quão difícil é a penetração dos conceitos e ideias do mundo dentro da rotina de treinos duros que obrigam o atleta escolher entre formar como pessoa ingênua e parte da categoria do futebol ou abandonar, dificultar uma carreira para chegar ao nível universitário com uma ampla visão do mundo. Não é dizer que o sujeito que abdica da correria normal do dia a dia para se tornar um jogador é ignorante, aumenta a possibilidade de não saber se portar ou discursar publicamente com noção dos problemas reais do Brasil e de contextos que não sejam esportivos.
O lado mais pesado é que em meio a crises como vivemos, a cobrança por defesas de causas e uma opinião sobre a política refletem o baixo nível educacional que gera péssima interpretação de textos e contextos além de desconhecimento da memória nacional. O maior exemplo foi o tal de Pelé, melhor jogador do mundo e do Brasil que nunca se acertou com as mensagens que passou, foi conservador e hipócrita em algumas situações quando ainda tinha espaço na TV relacionado ao futebol. Os jogadores de hoje são celebridades e estrelas da internet que expõe a roda de fofocas e que suas opiniões são validadas ou exigidas mesmo todo o histórico nacional de atletas que não estudam ou são alienados de pontos muito importantes como violência, governos, acontecimentos sociais e etc que gera uma chuva de declarações vazias e políticas ou aberrações conservadoras que fazem queimar ou adorar imagens públicas.
O meu ponto de vista é que existe uma via alternativa, podem ser ex jogadores em sua maioria, mas também há atletas que tem um senso de sensatez que é desenvolvido na Europa, Ásia e até jogando por aqui, o meio termo que é a atuação social e discursos responsáveis que são produzidos por jogadores como Raí, Alex (Palmeiras), Neto (apresentador da Band), Aloisio Chulapa, Cuca, Autuori, Cafu e por ai vai que tem uma vivência que permitiu a eles passar da bolha do simples papel de jogador para ser agente/influenciador social com boas ações ou ser referência para o que pensam os boleiros. É assim, sem organização coletiva forte, apesar de que existe o sindicatos dos atletas profissionais, que constrói em poucos nomes a fronte de cabeças entre o estilo "Jogador" e sujeito pensante dentro da sociedade.
É isso, pessoal
Até a próxima



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Se expressem , gritem , cornetem , comentem
Grato , blog 2 cabeças viajantes