Crônica da semana: A morte como rotina
Olá pessoal
O tema dessa semana livre é o que ronda a mentalidade das pessoas que se previne em tempo de pandemia, evitar a morte e como por motivos certos e errados se habituaram a presença da ceifadora da morte como se recebesse um velho conhecido. De Fato as pessoas vão partir para o outro lado algum momento, o problema é viver como se fosse um detalhe as perdas constantes por saber do riscos e de uma sistemáticas perseguição das autoridades.
O mundo que agente enxerga como normal no Brasil é na verdade, o extremo de outras realidades mais desenvolvidas que não aceitam o nível da violência que estamos acostumados. Olha, nenhum lugar tirando o Brasil acha normal matar 50 mil pessoas ao ano e da maior parte da briga de segurança pública com o povo ou crime organizado, muita gente inocente tá na lista de vitimas por azar, cor, maldade e uma guerra não declarada da polícia.
A vida se difere brutalmente no centro do dinheiro e na periferia do mesmo, o medo da minoria é perder bens materiais e a maioria tenta se esconder da mira da arma, da fome e do desemprego. A coisa é que ninguém pede para nascer pobre e fodido, o elemento violento é que a desigualdade cria uma massa que trabalha e aguenta o que tiver que ser e outros que vão formar base "operária" do crime, é impossível criar uma diferença entre o bandido e o morador quando se aborda alguém a noite nos bairros mais distantes, criar monstros é apenas uma loucura que põem um contra o outro.
O que incomoda é perceber que para uma elite, o extermínio é como uma saída muito aceitável para o fim da criminalidade, a face mais cruel de quem acha que o direito de viver é ligado no que valor que pode gastar e vestir. A cultura é mais que uma imposição, por vezes é desejo de monopólio até de pensamento, o povo tem hábitos e lazeres que são um reflexo de uma longa data de resistência conta a higienização de meia dúzia de rico branco que quer regular a sociedade porque se acha acima de todos.
Nunca foi o meu caso, temer a polícia por aqui por estar na parte boa da ZL porém você ouve, vê e descobre que a morte ronda a vida de amigos. O auge da vida de muitos é poder chegar num ponto de tranquilidade: aposentado, protegido com casa, comida e roupa lavada e a família bem, algo que você só sonha quando o mínimo você não tem ao longo da sua jornada produtiva adulta e que cada dia pode ser a última na mão do bandido comum, das forças públicas e da sua vizinhança pois é fácil encontrar alguém armado com a paranoia da realidade criada pelo sensacionalismo.
Sabe como dizem que para morrer basta estar vivo, o cotidiano cria uma extensão que é basta ser mais escuro que um Branco, basta ser visto vivendo em qualquer comunidade e te acharem parecido com um traficante, basta estar vestindo roupas diferentes da etiqueta, basta querer algo mais na vida e entrar no território do privilegiado para ser acusado de bandido. O preconceito é que as ideias dos abastados do Morumbi, Alphaville e etc falam sobre um servo subserviente que não tem ligações com onde mora, não tem sua própria linguagem e não resiste a elitização, a verdade que não poder controlar alguém é o traço mais forte do trabalhador comum que vai questionar e tentar se defender do abuso da autoridade.
Triste que no final das contas é que existem muito mais famílias que se acostumaram a ir para velórios mais do que se deveria, a morte de jovens em grande quantidade e somado a natural partida dos patriarcas e matriarcas é algo fora de comum. Um sinal de que se vive numa bolha com privilégios é a proximidade com a morte, a chance de uma vida longa e completa faz que a partida de alguém um evento ao contrário de alguém de zona de risco que conta nos mãos a presença em despedidas de amigos e parentes.
É isso, pessoal
Até a próxima



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Grato , blog 2 cabeças viajantes